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Review do Kindle 8° – Ainda vale a pena comprar um E-Reader em 2018?

Já fazem aproximadamente três meses que a Amazon celebrou o aniversário de 10 anos da marca Kindle, cinco dos quais a empresa vende aparelhos no Brasil. Foi nessa ocasião que aproveitei para adquirir meu primeiro e-reader, o Kindle , a oitava geração do modelo base.

Eu já havia utilizado e-readers de amigos e familiares algumas vezes, mas não estava muito seguro se devia adquirir um para uso pessoal, pois, eu me indagava se realmente o utilizaria, se o Kindle é um aparelho no qual se vale a pena investir.

Sempre fui um leitor bem assíduo, desde de criança gostava de ler, já faz um bom tempo que leio em média 20~30 livros por ano. Nem sempre li livros físicos, muitas vezes recorria ao formato digital, os famosos EPUB’s, e na ausência da possibilidade de segurar um livro, devido o lotamento de transportes públicos, ainda assim escutava audiobooks.

Talvez você esteja se perguntando nesse momento: se eu gosto tanto de ler e não me importo se o livro é físico ou digital, então porque ainda assim fiquei com receio de adquirir um Kindle? Bem, isso seria um spoiler dos parágrafos seguintes.

Todavia, é uma questão que irei lhes responder nessa análise do Kindle 8° geração. Ao longo desse texto lhes direi quais eram minhas ideias iniciais a respeito dos e-readers e o que mudou após adquirir um para uso pessoal. Você vem comigo?

Recomendamos para você: Saiba como evitar spoilers através de aplicativos e extensões

Análise: Kindle 8° Geração – Design

Quando o Kindle 8° chegou em minha casa a primeira coisa que me surpreendeu foi seu tamanho e peso, conforme citado anteriormente, eu já havia utilizado e-readers de familiares, mas não foi por tempo suficiente para perceber o quanto esses aparelhos são pequenos.

O Kindle 8° mede aproximadamente 16 cm de altura por 15 de largura, o tamanho médio de muitos smartphones atuais, porém, mais largo. Pode até parecer que ele seja grande, mas na verdade o Kindle é menor que a maioria dos livros, com exceção dos pockets.

Isso faz com que ele seja leve e caiba facilmente em quase qualquer canto, mesmo nos bolsos de calças jeans, algo que não recomendo que você faça, de toda forma, ele é muito fino e leve, segue uma foto para comparação:

Sim, todo esse ‘livrão’, e muitos outros está contido no Kindle. (Foto: Jean Fernandes)

O Kindle pode parecer minúsculo se comparado a esse ‘tijolinho’ aí em cima, porém, ele tem praticamente o mesmo tamanho que uma bíblia convencional: aproximadamente 16 cm de altura. A tela dele possui 6 polegadas e quase um centímetro de profundidade em relação as bordas, ele é totalmente plano, com exceção da parte inferior que possui entrada para um cabo USB/carregador e o botão de liga/desliga.

É um design simples, o Kindle 8° é revestido em borracha e confortável de se segurar, não desliza na mão com facilidade e caso se suje ou molhe é possível limpar/secar facilmente na roupa.

A leve profundidade de 92 mm em relação as bordas faz com que a tela não seja plana com as mesmas, o que, ao meu ver, foi uma jogada bem inteligente da Amazon para evitar que ela quebre, caso o aparelho caia no chão.

Embora a tela seja um pouco mais ‘funda’ em relação ao acabamento ela é bem reta e não há espaços entre o vidro e a borracha para sequer colocarmos um pedaço de papel entre os dois, ainda bem não é mesmo? (Foto: Jean Fernandes)

Essa diferença entre borda e tela de forma alguma chega a ser algo incomodo, nem para tocar na tela ao fazermos alguma anotação ou virar de página e muito menos durante a leitura, pois, quando olhamos de frente para o Kindle, ou mesmo quando ele está inclinado, a leitura é muito agradável.

Algo que colabora muito para essa praticidade é o peso do Kindle 8°, apenas 161 gramas, podemos facilmente segurá-lo com apenas dois dedos, embora, eu ache mais confortável segurar com todos e deixar o polegar sobre a borda para facilmente tocar o dedo na tela e trocar de página.

Como ele só possui um único botão físico, o de ligar/desligar, não existe o risco de você trocar de página sem querer, porém, o fato do botão estar localizado na parte de baixo do aparelho pode fazer com que ele ligue ou desligue sozinho se você tentar deixá-lo ’em pé.’

Ademais, eu nunca entendo qual é a quantidade de pressão necessária no botão para ligar ou desligar o aparelho, pois, as vezes só de tocar em algo ele liga, mas quando quero realmente iniciar o Kindle 8° ele parece ficar ‘de birra’ e não funciona até que eu toque o botão com mais força.

Particularmente gosto de segurar o Kindle com o polegar apoiado na borda, posso passar horas segurando-o dessa forma, devido seu baixo peso os braços não se cansam. (Foto: Amanda Fernandes)

A minha maior queixa em relação ao Kindle é que o acabamento dele é muito frágil, a borracha que o reveste arranha com uma praticidade absurda, portanto, nem de brincadeira coloque seu aparelho entre um molho de chaves ou papeis com clips e/ou grampos, porque a borracha vai se arranhar.

Eu constatei isso da pior forma, quando o coloquei entre papéis na minha mochila, ele estava em um local específico para documentos, e infelizmente o papel por si só já o arranhou.

Com apenas algumas semanas de uso meu Kindle já estava cheio dessas marquinhas amigáveis, felizmente a tela, por outro lado, não arranha facilmente, creio que em muito devido aquela pequena diferença entre o vidro e as bordas que tanto já salientei. (Foro: Jean Fernandes)

Se você não deseja que isso ocorra com seu aparelho é melhor adquirir um capinha para ele o quanto antes, alguns modelos até mesmo possuem apoio para que seu Kindle fique “em pé” numa mesa para que você não precise ficar segurando-o.

Sobre o design em si, eu apenas senti falta de botões físicos para avançar as páginas, o sensor de toque dele é altamente responsivo, podemos passar de páginas tocando no meio da tela, nos cantos ou deslizando o dedo. Os modelos mais avançados da Amazon, o Kindle Oasis  e Kindle Voyage, possuem botões e sensor de toque, espero que com o passar dos anos isso também seja empregado nos demais modelos.

Análise: Kindle 8° Geração – Como é a leitura?

Deixando o design de lado, vamos para o ponto alto do aparelho, a leitura. Pegue qualquer livro que você possuir na sua casa e abra-o num ambiente bem iluminado, olhar para ele é a mesma coisa que olhar para a tela do Kindle, diferente de um celular ou tablet, os e-readers não emitem luz em nossos rostos,  graças a isso os nossos olhos não se cansam e você pode ler até enjoar sem a menor consequência para sua saúde.

É verdade que algumas coisas se perdem por não estarmos usando papel, como o ‘perfume’ que os livros novos tem, a sensação das páginas sobre o toque, a raiva que passamos quando as páginas ficam coladas e a sensação de estarmos avançando na leitura ao vermos que conforme viramos as páginas o lado direito do livro vai ficando maior e mais pesado.

Fora o fato de que com um livro físico as pessoas podem ver o que estamos lendo ao observar a capa, o que pode ser bom ou ruim dependendo do que você está lendo. Não sei quanto a vocês, mas eu nunca puxei assunto com alguém em transportes públicos só porque a pessoa estava lendo o mesmo livro que eu, embora o contrário já tenha acontecido comigo.

De toda forma, essa “nossa propaganda ambulante” é algo que se perde, você pode até andar pelas ruas com um livro nas mãos, porém, dificilmente faria isso com o Kindle, ao menos que queira ser roubado.

Não existe diferenças em olhar para o papel ou para o Kindle, exceto que o livro físico possua algum ‘enfeite’ no papel, como essas bordas acinzentadas do Ciclo Nessântico de S.L Farrell. (Foto: Jean Fernandes)

Mas por outro lado, existem muitas vantagens em ler um livro em e-readers, por exemplo, podemos mexer o dedo em forma de pinça na tela para que a fonte aumente ou diminua. Você também pode trocar a fonte do texto, ajustar margens e espaçamento entre linhas, mudar a orientação da tela, saber quanto tempo falta para que você termine de ler um capítulo ou o livro como um todo.

Se você gosta de ler livros internacionais o Kindle será seu novo lar, pois, ele possui dicionários de diversos idiomas, que podem ser baixados gratuitamente, eu passei ler mais livros em inglês após o adquirir, principalmente porque se não souber o significado de alguma palavra, bastará tocar o dedo nela e na mesma hora o Kindle mostra a tradução.

Os dicionários também estão disponíveis em português, ideal para que finalmente tomemos vergonha na cara e leiamos alguns clássicos nacionais, como os livros do Machado de Assis. Eis uma foto mostrando como o dicionário funciona:

O Kindle possibilita que chequemos o significado de palavras, mesmo quando estamos offline, basta pressionar levemente o dedo sob a palavra desejada. (Foto: Print retirada no meu Kindle)

No Kindle 8° também podemos fazer anotações ou destacar trechos de um livro, basta pressionarmos levemente o dedo na tela e o arrastarmos até o trecho desejado.

O teclado do Kindle poderia ser mais responsivo, mas em geral não acho difícil fazer uma anotação em algo que me chamou a atenção, embora, escrever longas notas não é algo muito promissor para mim. Não que ele seja  ruim, mas possui problemas na correção de erros de digitação.

Por exemplo, digamos que você queira escrever: “Preciso estudar mais sobre esse capítulo” e sem querer escreve “Estdar”, quando você clicar nessa palavra e usar a sugestão do Kindle para a corrigir, ele vai, de fato, alterar a palavra e colocar um “Estudar” no local.

Porém, as letras que estavam ‘certas’, nesse caso ‘dar’, vão ficar na frente de estudar, deixando a frase assim: “Preciso estudar dar mais […]” é justamente por isso que não acho que o Kindle não seja prático para fazermos longas anotações.

Já os destaque, marcações de trechos que achamos interessantes, são outra dor de cabeça a parte, primeiro porque quando você destaca um trecho em qualquer livro ou documento ele vai parar em um arquivo no Kindle chamado meus recortes. Nesse local todos os trechos que você destacou ficam unidos em ordem cronológica, porém, há muita informação no meio das notas, como o nome do livro, do autor, página do livro, dia, horário e… Bem, veja melhor a bagunça:

Esse retângulo em preto é toda a informação extra que aparece antes da nota, que está destacada em vermelho. (Foto: Jean Fernandes)

Agora imagine como é gratificante ficar vagando por esse documento de recortes até encontrar algum trecho que você gostou e destacou. Devido a falta de praticidade, eu optei por fazer anotações, geralmente curtas como esse “like” acima, unicamente porque as notas que fazemos podem ser conferidas em ordem no próprio livro que estivermos lendo, diferente dos destaques, que como citado, ficam todos juntos em um documento a parte.

Fora essa desvantagem, ler e fazer anotações no Kindle 8° é algo muito prático, ele possui nove fontes diferentes, o tamanho da fonte vai de 1 até 16.

Outra funcionalidade bem interessante é que podemos realizar pesquisas no livro, por exemplo, digamos que você não se lembre quem é determinado personagem, basta tocar o dedo no nome dele, e em seguida tocar na lupa pouco ao lado da opção de compartilhar e então em ‘pesquisar neste ebook’, feito isso uma tela com todas as citações do dito cujo no livro irão aparecer em ordem cronológica.

Após se recordar quem é o personagem é só clicar na seta de voltar, disponível no menu superior do Kindle. Você retornará para a exata página em que estava antes da pesquisa. (Foto: Jean Fernandes)

Sim, eu sei que simulacro não é um personagem, mas também é possível checar quantas vezes uma palavra aparece no texto ou pesquisar diretamente por ela na opção de busca, disponível nas ferramentas do menu superior do Kindle de 8° geração.

Os formatos de arquivos aceitos pelo Kindle de 8° Geração

O Kindle 8° trabalha com a leitura de livros no formato MOBI, AZW, AZW3, DOC(X), PDF, RTF e XML. O MOBI e AZW(3) são os formatos nativos e dão ao leitor a maior liberdade para fazermos ajustes nas margens, fontes etc.

Os doc’s também são bem práticos de se ler e, na vasta maioria dos arquivos desse formato que passei para o leitor via USB, a leitura foi bem agradável, embora, eu prefira converter os arquivos para MOBI ao invés de ler diretamente em doc. Convertê-los lhe permitirá ajustar melhor as fontes, margens etc.

Os pdf’s simplesmente não são agradáveis de ser ler, o texto fica muito quebrado, mais ou menos assim:

“Apenas olhamos um para o outro, um de cada lado do comprido corredor da

nossa casa, uma construção vitoriana. Um longo caminho de madeira

polida à perfeição se estende entre nós, até que ela dá meia-volta e cambaleia

de leve até a sala de estar..”

Copiei esse trecho diretamente de um PDF que possuo no Kindle. Ele não possui imagens, do contrário a experiência seria ainda pior.

Tentar ler algo com muitas imagens também não é agradável, principalmente se elas forem pequenas, como é o caso da série de livros O Diário de um Banana, baixei uma amostra na própria loja da Amazon, e descobri que não é possível aumentar o tamanho das letras, as imagens e os balões de falas dos personagens nos desenhos ficam muito pequenos.

 

Uma amostra do Diário de um Banana II – cada pessoa possuí um tamanho de fontes preferencial para leitura, mas no caso desse livro não é possível ajustar seu tamanho. (Foto: Jean Fernandes)

Ler Mangás e HQ’s também foi uma experiência ruim, as imagens só ocupavam 2/3 do tamanho da tela, deixando todo o resto em branco, não é possível dar zoom e, acreditem, o meu Kindle de 8° geração chegou travar em alguns testes com leitura de arquivos CDZ e CDR (usados em HQ’s), me forçando reiniciar o aparelho por pressionar e segurar o botão de desligar.

 

O Kindle 8° não lê EPUB’s, o formato de livros digitais mais popular que existe, caso você possua algum arquivo nesse formato, poderá convertê-lo facilmente (e gratuitamente) por enviar uma cópia dele para o seu e-mail Kindle, esse e-mail é fornecido pela Amazon assim que você cria uma conta no site deles.

Eis o que ocorre ao darmos qualquer zoom em um PDF, quadrinhos ou no Diário de um Banana, não existe escala de zoom, ele sempre se aproxima dessa forma e a navegação fica muito lenta. (Foto: Jean Fernandes)

Bastará entrar no seu e-mail padrão e enviar uma mensagem para seu e-mail Kindle, com o arquivo em EPUB, PDF ou Doc em anexo, não é preciso digitar um assunto ou texto de mensagem. Ligue seu e-reader e aguarde um pouco que o arquivo convertido estará disponível assim que possível, de acordo com a velocidade da sua internet.

A única forma agradável que encontrei, até o momento, de exibir imagens no Kindle foi criando um arquivo Doc ou Docx e colando as imagens entre o texto.

Se você tiver paciência de colar uma página de mangá por vez em páginas diferentes do documento e então o converter para MOBI através do Calibre. Bem, nesse caso a leitura poderá ser feita sem maiores problemas. Mas haja paciência.

O que me propus a fazer é ler Light Novels, elas não possuem muitas imagens, bastou copiar o texto na internet, colar em doc’s, converter o arquivo para mobi no Calibre e enviar o arquivo para o Kindle pelo próprio programa já referido. Nesse caso a leitura se tornou muito agravável.

Análise: Kindle 8° Geração – Interface e Loja

O menu do Kindle é bem intuitivo, assim que o ligamos vemos os últimos livros lidos, dicas de livros com base nos seus últimas leituras ou pesquisas e também temos acesso a loja, menu de buscas e de configurações do dispositivo. Ao deslizarmos o dedo para a direita temos acesso a todos nossos livros, é possível organizá-los por pastas, para facilitar a busca por gêneros ou separar suas listas de leitura.

A tela inicial, assim como todos os demais menus do aparelho, é bem organizada e limpa, particularmente achei o Kindle 8° um aparelho bem prático de se mexer, a interface não possui comandos e atalhos em excesso, é bem minimalista. Eis a tela inicial do meu Kindle:

Em vermelho temos o menu do Kindle, ele pode ser acessado a qualquer momento, mesmo em um livro, basta tocar na parte superior da tela que ele abre. Em azul estão as últimas leituras e em preto as recomendações da Amazon com base nas suas últimas leituras. (Foto: Jean Fernandes)

Em geral só tenho elogios sobre a interface do aparelho, mesmo quando deixei o Kindle com crianças e idosos eles conseguiram se sair muito bem após eu mostrar algumas funções básicas, como mexer o dedo para aumentar/diminuir a fonte, fazer marcações e sair do livro para voltar ao menu onde todos os demais estão disponíveis para leitura.

No princípio, se não fizermos pastas para separar os arquivos, fica um pouco complicado achar o que queremos, principalmente se você possuir muitos arquivos no seu Kindle. Ademais, a Amazon só permite que você compre livros na loja oficial deles, logo, não adianta adquirir um arquivo digital em outra livraria, exceto que, eles te enviem o arquivo EPUB, MOBI ou AZW bruto, algo que dificilmente algum vendedor fará, já que uma vez com esses arquivos, alguém de má índole poderia espalhar eles pela internet, disseminando a pirataria.

Porém, se você possuir um e-mail Kindle, é possível conversar com alguns vendedores e negociar com eles para que enviem o arquivo diretamente para seu aparelho, uma vez lá não é possível extraí-lo em formato bruto, ao menos não que eu saiba.

Não existe muito que se fazer, os melhores formatos para ser no Kindle são o Mobi e o AZW, felizmente, converter documentos para esse formato é algo rápido e simples de se fazer. (Foto: Jean Fernandes)

Certa vez eu quis ler um livro que não estava disponível na loja oficial da Amazon, mas encontrei um vendedor no Mercado Livre com o livro digital, paguei o preço cobrado e recebi o arquivo em meu aparelho, todo mundo ficou feliz.

Falando em compras, os preços de livros na loja oficial da Amazon deixam um pouco a desejar, não é incomum que os livros digitais possuam preços bem aproximados dos físicos, se não mais caros, porém, o contrário também acontece e alguns livros digitais de autores consagrados chegam a ser 5 vezes mais baratos que a versão física.

Ademais, é muito frequente que surjam promoções nos livros, em categorias específicas, como ficção, e até mesmo cupons de desconto para você gastar no que preferir. Minha dica é que se você estiver interessado em algo adicione o livro a uma lista de desejos, você será notificado via e-mail quando o preço dele cair.

Vendo sua fina espessura é elogiável que os desenvolvedores da Amazon tenham conseguido fazer uma interface tão sólida e responsiva num aparelho que a primeira vista parece simples. (Foto: Jean Fernandes)

Também é possível assinar o Kindle Unlimited, popularmente chamado de Netflix dos livros, um serviço da Amazon que lhe permite ter acesso a um número praticamente ilimitado de obras para ler quando bem quiser, muitos livros de atores famosos, como George R. R. Martín, estão disponíveis para leitura gratuita através do Kindle Unlimited. Porém, infelizmente a maioria dos livros disponíveis ainda são de autores ou séries pouco conhecidas, espero que isso mude ao longo do tempo.

O preço do serviço no momento é de R$ 20 mensais, salgado dado ao catalogo disponível, porém, novos assinantes costumam contar com uma regalia de assinar por três meses pagando apenas 1,99 ao mês, o ideal é que ao adquirir seu Kindle 8°, você espere receber um e-mail com essa barganha.

Com o Kindle Unlimited é possível ter acesso há mais de 48 mil livros, como por exemplo, os da série Harry Potter. (Foto: Jean Fernandes)

Em geral não tive dificuldades para navegar pela loja, quando compramos um livro ou baixamos uma amostra ele é adicionado ao nosso aparelho em poucos instantes.

Também é possível instalar um aplicativo Kindle no seu smartphone e sempre que você ler em algum dos dispositivos a leitura será sincronizada com o outro ao abrir o mesmo livro no outro aparelho. Porém, os únicos livros disponíveis no aplicativo mobile são os que você comprou oficialmente na Amazon ou aqueles que foram enviados por e-mail para seu Kindle 8°.

Meu maior problema com isso é que os livros enviados via e-mail ficam sem capa, mesmo que eles originalmente possuam uma. Os livros comprados na loja, por outro lado, possuem capas. Mas, acredite, não é uma experiência muito agradável entupir seu aparelho com livros sem capa, por isso prefiro optar por enviar arquivos para ele através do Calibre, já que com ele posso adicionar e/ou criar capas antes de transferir o livro para o Kindle.

Análise: Kindle 8° Geração – A Bateria

Eu não poderia fazer essa análise sem falar da bateria do Kindle de 8° Geração, em geral eu achei que ela iria durar mais, muito mais. Na loja oficial do Kindle é dito que a bateria do aparelho pode durar até 4 semanas se lermos em média 30 minutos por dia com o Wi-Fi desligado. O que me pareceu algo de outro mundo, um mês de bateria, ou ao menos eu pensei assim.

Se fizermos uma matemática básica, veremos que ao ler uma hora por dia, com o Wi-Fi desligado, já reduziria esse tempo para aproximadamente 2 semanas, ainda parece bastante coisa né?

Mas, e se você decidir fazer uma viagem para longe e passar 14 horas fora de casa, seja num avião ou ônibus? Se você passar 10 horas seguidas lendo, com o seu Wi-Fi desligado… Bem, eu já começaria me preocupar com a bateria do Kindle 8° se estivesse nessas condições.

Em geral eu sempre mantenho o Wi-Fi conectado quando estou em casa e ultimamente tenho carregado o aparelho em média 2 vezes por semana, nunca deixei a bateria zerar, o Kindle não possui um medidor de porcentagem, dessa forma fica difícil saber quanta carga temos restando. O carregamento, ao menos, é bem rápido e pode ser feito através de uma porta USB de seu computador ou Notebook.

Felizmente é possível utilizar o Kindle 8° enquanto ele carrega, ademais, caso queira transferir arquivos para ele via USB esse é um bom momento para o fazer, só note que ele não pode ser ejetado durante o processo. (Foto: Jean Fernandes)

A Amazon também vende um carregador de parede para o Kindle, mas não acho que valha a pena pagar 80 R$ em um, não quando podemos carregá-lo facilmente em praticamente qualquer porta USB. Por favor, não carregue seu Kindle com carregadores de celular, cada aparelho eletrônico possui uma quantidade de amperagem necessária diferente para ser carregado, e a do Kindle é bem baixa, logo, carregá-lo de forma inadequada é um passo certo para diminuir o tempo de vida útil de seu aparelho.

Na minha humilde opinião como usuário, acho que ela está durando abaixo do esperado, embora, eu creia que se teria de levar quase dois dias de leitura a fio, com Wi-Fi desligado, para drenar toda a bateria. Ademais, por algum motivo ler arquivos com muitas imagens consome mais bateria, inclusive no caso dos PDF’s.

O Kindle se desliga automaticamente se ficarmos 10 minutos em tocar na tela dele. (Foto: Jean Fernandes)

Para poupar bateria o Kindle entra em modo de repouso quando não mexemos na tela dele por aproximadamente 10 minutos, quando isso ocorre ou ao o desligarmos, o Kindle exibirá um simpático papel de parede como o mostrado acima, ao todo já vi aproximadamente 20 imagens diferentes, elas são bem belas e chamativas.

Claro que a autonomia de um e-reader vai variar muito de pessoa para pessoa, já que cada um possui hábitos de uso diferentes, todavia, a bateria do Kindle 8° certamente consegue durar dias e/ou semanas se só ativarmos o Wi-Fi quando for preciso.

Vale a pena comprar um Kindle (ou e-reader) em 2018?

Você certamente deve ter percebido nesse review/análise que muitas foram as minhas surpresas com o Kindle 8°, sejam elas positivas ou negativas. De toda forma, embora eu goste bastante de ler, o que me refreou de ter adquirido um aparelho antes foi o receio de ficar refém da loja da Amazon, de não encontrar bons preços nos livros digitais e, principalmente, do mercado de e-readers deixar de existir e nos acabar restando um bonito peso de papéis chamado Kindle.

Esse não é um futuro muito difícil de se ocorrer, afinal, segundo uma matéria realizada pela Folha de SP, em 2017 apenas 1,1% do faturamento das editoras vieram de livros digitais, isso acaba refletindo em outro dado preocupante citado na matéria: apenas 37% das editoras nacionais entrevistadas pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) produzem cópias digitais de seus livros.

Os livros mais vendidos e falados no momento sempre estarão no catalogo da Amazon, mas não raro, um livro ‘menos popular’ só estará disponível em formato físico ou noutro idioma que não o nosso. Os Kindles não irão deixar de existir tão cedo, pois, a grande maioria das pessoas que adquirem um e-reader costumam comprar livros na loja ao menos esporadicamente.

Na minha opinião, um dos grandes empecilhos para que o mercado de e-readers não seja melhor no Brasil, é o preço dos livros. Os valores cobrados são muito próximos das versões físicas, compradas na internet e não em livrarias. Por exemplo, o livro que aparece ao lado do Kindle no início do artigo, O Trono do Sol – Livro 3, custa R$ 47 na loja Amazon enquanto que a versão digital está R$ 38.

Esse não é um problema exclusivo da Amazon, mas sim de ebooks e leitores digitais em geral, algo que não consigo entender já que em março de 2017 o governo brasileiro isentou e-readers e livros digitais de cargas tributárias.

Na loja da Amazon o mesmo livro saí por R$ 40 na versão física e R$ 37 na digital. (Foto: Jean Fernandes)

Não estou desmerecendo o trabalho do autor ou das dezenas, se não centenas de pessoas que trabalharam duro na escrita, edição, revisão, impressão, transporte etc e etc. Porém, é complicado incentivar que o público aflua para um produto focado em leitura quando o preço dele é muito maior do que o de vários livros juntos e o preço dos mesmos é praticamente idêntico, se não superior, a das versões físicas.

Todavia, seria injusto de minha parte apenas falar do lado negativo de um Kindle, afinal, o outro lado da moeda também ocorre, já vi muitas barganhas na loja, como livros digitais sendo vendidos por 9 R$ enquanto que a física saía por quase 30, 40 ou 50 reais.

Muitos títulos também estão disponíveis no Kindle Unlimited, como por exemplo, o Trono do Sol – Livro 3, um livro tão grande que chegava me causar dor nos braços, cujo qual eu paguei incríveis R$ 70 numa loja física para um mês depois comprar um Kindle e ter a incrível surpresa de que poderia terminar a leitura no e-reader graças ao Unlimited.

Os preços na loja da Amazon estão longe de serem abusivos, tanto para livros físicos quanto para digitais, porém, os preços digitais costumam, com frequência, estarem bem próximos dos físicos. (Foto: Reprodução de 17/01/18)

Sobre o Kindle Unlimited, acho que 20 R$ é um preço meio salgado dado ao catalogo disponível, a maioria dos livros e séries disponíveis parecem ser de autores pouco conhecidos ou o primeiro volume de uma série popular, mas deixarei meus comentários sobre esse serviço da Amazon reservados para outro artigo…

Em suma, eu lhe diria que, se você gosta mesmo de ler, se não se importa em ler livros digitais e quer abraçar a ideia de carregar centenas de livros na palma da mão, então o Kindle certamente é o aparelho ideal para você.

Compre um porque você não irá se arrepender, mas espere uma promoção, elas são bem frequentes por parte da Amazon e quase que bimestralmente o modelo básico é vendido por 190 reais, ao invés dos usuais R$ 299. Os demais modelos também recebem descontos frequentemente.

Admita, a ideia de poder carregar todos os seus livros na bolsa é bem tentadora, não se preocupe, se perder seu Kindle os livros ficarão vinculados a sua conta, então você sempre poderá lê-los através de um novo aparelho ou de seu smartphone. (Foto: Jean Fernandes)

Eu, de minha parte, estou amando o Kindle 8°, ele não é mil maravilhas, possui problemas, como tudo nesse mundo, mas irei apostar minhas fichas de que, se a Amazon mudar um pouco os preços praticados, eles podem sim ganhar um pouco mais de campo contra os livros físicos. Creio que isso irá ocorrer gradualmente dada a isenção tributária já citada.

Mas e você, leitor ou leitora que teve paciência de me aturar até aqui, está análise mudou seu ponto de vista a respeito dos e-readers? Pretende adquirir um Kindle? Por favor, deixe sua opinião nos comentários para que possamos conversar a respeito de leitores digitais, livros, e sobre “a vida, o universo e tudo mais”.

Sobre o autor

Olá nobre visitante, seja bem vindo, meu nome é Jean e nasci nas sombras da Grande SP, amada terra da garoa. Não sei bem se foi 'o mundo', ou meu jeito introvertido de ser, que me tornou alguém mais antenado em tecnologia, mas sempre gostei de ler sobre novidades da área e desde 2013 passei para o outro lado, o que conta as histórias. Fico feliz que você às tenha lido, volte sempre ;)
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